sexta-feira, novembro 21, 2008
Eu, eu mesma e apenas eu.
Estou sozinha, abandonada, atirada aos corvos. Ok, muito menos. Mas realmente não há nada (em negrito) a se fazer sozinha aqui em Porto Alegre se tu não tens dinheiro nem paciência para enfrentar ônibus lotados. Claro, deve ser bobagem minha, sei que alguém diz. É, talvez seja. O fato é que a melancolia me consome e queria desesperadamente de um humano para rir de bobagens e me dar um abraço. Eita, saudade de uma vida passada que me cala fundo!
domingo, outubro 12, 2008
das crianças
Criança, menor de idade, vacinada. Eu já fui (até ontem, se posso revelar a data do meu aniversário). Brincava de esconde-esconde na rua, tinha uma casinha n'um pé de laranjeira, roubava goiabas do vizinho, me vestia com trapos e não gostava muito de bonecas. Hoje eu ainda faço algumas dessas coisas, mas com uma intensidade bem menor. Outros compromissos, bem mais responsabilidades. É, a vida passa, meu caro. E passa rápido. Os menores de idade de hoje ficam grudados em computadores e videogames, esperando o lançamento daquele novo "game", iludidos com a tal da tecnologia. Quem dera que soubessem o quanto é bom aproveitar o tempo livre que lhes é vasto com coisas menos monótonas e estáticas! Mas isso é só a opinião de uma mera telespectadora nascida nos anos noventa, que assiste os velhos ficarem cada vez mais crianças e as crinças ficarem cada vez mais velhas. Triste inversão.
sábado, setembro 13, 2008
O Papel da Filosofia
Será ela disciplina fundamental? Será dialética sem motivo? Será junção de malucos teóricos? Será ciência suprema aristotélica do Alfa maior? Eu queria era saber o papel da Filosofia.
domingo, agosto 17, 2008
do pássaro mágico
Caminhando por um atrativo turístico da minha querida cidade, deparo-me com um "objeto" peculiar. Um pássaro estranhamente colorido e pomposo, grande e esbelto, que equilibrava-de de maneira comum sobre um galho não muito longe do chão. Parei, claro, para contemplar o animal incomum. Era multicolorido, realmente. Azul, vermelho, um tom de verde e uma calda extrardinariamente branca. Fiquei lembrando de uma fênix de certo livro. Depois de alguns minutos resolvi retomar o passeio. Eis que surge uma família. Avistaram todos o pássaro e, adivinhe, qual foi a primeira frase exclamada: "filho, ele ainda é filhote. Vai lá e pega! Vamos levar para casa.". Era o cúmulo, o fim. Meu resto de senso crítico e idealista me fez encarar o tal pai e iniciar uma discussão. A qual não foi muito longe, já adianto. Acho que o homem se envergonhou, já que resolveu apenas filmar o pássaro. Mas eu fiquei ao lado, esperando que a família -depois da filmagem- retomasse a marcha. E, depois de longos minutos com a câmera na mão, o senhor descobriu que a máquina não estava ligada. Foi uma cena engraçada, com xingamentos e tal. No final, ao olhar pela última vez o pássaro, imaginei vê-lo piscando para mim.
segunda-feira, julho 21, 2008
Sonho de mochila
Eu fico a pensar se todos os jovens (é, eu me considero jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda!) têm o "sonho" de -sem muito lero-lero- sair por aí com uma mochila nas costas sem um destino muito definido. Objetivo: aventurar-se. Talvez pela América do Sul, talvez em outro continente, talvez até no seu próprio estado. Mas assim: de carona em carona, com o mínimo de dinheiro no bolso (ora, nada incomum na vida dos jovens), e preocupando-se apenas com o lugar para dormir à noite (que pode ser uma casa de família, um banco seguro, uma cabana velha, uma pousada baratérrima). E eu, que não sou menos clichê, também tenho esse desejo. Meio utópico, confesso -e alimentado por filmes, como Diários de Motocicleta, livros, como On The Road do Jack Kerouc, e companheiros de amizade-, mas quem utopias (como ser a maior bailarina de todos os tempos, morrer velhinha ao lado de outro velhinho especial, ser reconhecida e a mais inteligente de todas entre todos) nunca teve? São elas que alimentam nossa criatividade. Pois, se viajar como um Che pela américa não der, que viajemos então pelo pensamento.
terça-feira, julho 15, 2008
da boa leitura
Chateiam-me aquelas pessoas que lêem apenas Agatha Christie e Sidney Sheldon. Segundo elas (ou: a grande maioria), optam por esses autores pois necessitam de um bom suspense ou de uma instigante aventura. Vale-me discordar. Lembro que li "O Estrangulador" do Sidney e o enredo era fraquíssimo. Estória típica americana: um maníaco assassino atormenta uma cidade; Para detê-lo surge o comum sargento bom moço; O final nada mais do que óbvio (não, eu não irei contar o livro; Fique tranqüilo...). Surprende-me que os brasileiros dão tão pouca importância a sua literatura nacional e, principalmente, regional. Na seção de mais vendidos só se veêm romances água com açúcar e notórios auto-ajuda, e, claro, de outros países. Com tanto Graciliano, com tanto Machado, com tanta Lispector, com tanto Érico Veríssimo? Ah, que venha o dia em que o brasileiro saiba o que é boa leitura.
sábado, julho 05, 2008
Sobre Ética
Ponto 1.
Parece sarcasmo, mas é apenas um "achar graça (na forma mais ampla que tu te permitires considerar, querido leitor [invisível?])". E do que falo? Bem, justamente de um ponto que pode se relacionar com Ética, todavia também com aquilo que chamam de "Boa Índole (se é que no fundo as duas expressões não são sinônimas [volto a discutir mais sobre isso futuramente, talvez em outro post.])". Pois bem, talvez a filantropia (ou altruísmo, ou humanitarismo) não exista. Veja bem: quando encontramos alguém passando necessidade na ida de casa até a farmácia e o ajudamos, hm, talvez isso não seja se importar com o outro por si só, e sim se importar porque essa mesma ação nos faça bem internamente, nos deixe com um ar de "eu sou um ser bom". O que, originalmente, não pode ser chamado de altruísmo, já que não é um amor exclusivo ao outro, mas sim a nós mesmos, ao nosso "ego". Outro exemplo: uma pessoa próxima sofre (por algum motivo, seja lá qual for). Será que ao resolvermos ajudá-la é somente por ela ou também por nós -que sofremos, claro, com o seu sofrimento (isto se tu não fores um troglodita insensível...)? Pois é, eis a (minha) dúvida. Quanto de verdadeiro pelo outro há nesses gestos "caridosos"?
Ponto 2.
Me é curioso o fato daqueles que, fingindo boas ações éticas, ferem os outros com palavras. Na verdade me é curiosíssimo. Será que é porque há um acerto no ato de reprimir um gesto errado moralmente que se pode reprimir da forma que bem entender? Isto é: ser esnobe e irônico ao dizer "você ainda não aprendeu que...?" é permitido quando a intenção é boa? Um ato compensando o outro, poderia se dizer. Todavia, não me parece bem isso. Na realidade considero tão feio o ato de quem pensa estar fazendo o bem enquanto reprime, quanto o ato de quem faz o mal sendo pouco ético (porque esse pode estar fazendo sem se dar conta [e isso por motivos tantos: costume, anestesia moral,...], já aquele tinha consciência do que fazia). Assim: se for reprimir que seja com modéstia, se for considerar a repreensão que seja com bom senso.
Parece sarcasmo, mas é apenas um "achar graça (na forma mais ampla que tu te permitires considerar, querido leitor [invisível?])". E do que falo? Bem, justamente de um ponto que pode se relacionar com Ética, todavia também com aquilo que chamam de "Boa Índole (se é que no fundo as duas expressões não são sinônimas [volto a discutir mais sobre isso futuramente, talvez em outro post.])". Pois bem, talvez a filantropia (ou altruísmo, ou humanitarismo) não exista. Veja bem: quando encontramos alguém passando necessidade na ida de casa até a farmácia e o ajudamos, hm, talvez isso não seja se importar com o outro por si só, e sim se importar porque essa mesma ação nos faça bem internamente, nos deixe com um ar de "eu sou um ser bom". O que, originalmente, não pode ser chamado de altruísmo, já que não é um amor exclusivo ao outro, mas sim a nós mesmos, ao nosso "ego". Outro exemplo: uma pessoa próxima sofre (por algum motivo, seja lá qual for). Será que ao resolvermos ajudá-la é somente por ela ou também por nós -que sofremos, claro, com o seu sofrimento (isto se tu não fores um troglodita insensível...)? Pois é, eis a (minha) dúvida. Quanto de verdadeiro pelo outro há nesses gestos "caridosos"?
Ponto 2.
Me é curioso o fato daqueles que, fingindo boas ações éticas, ferem os outros com palavras. Na verdade me é curiosíssimo. Será que é porque há um acerto no ato de reprimir um gesto errado moralmente que se pode reprimir da forma que bem entender? Isto é: ser esnobe e irônico ao dizer "você ainda não aprendeu que...?" é permitido quando a intenção é boa? Um ato compensando o outro, poderia se dizer. Todavia, não me parece bem isso. Na realidade considero tão feio o ato de quem pensa estar fazendo o bem enquanto reprime, quanto o ato de quem faz o mal sendo pouco ético (porque esse pode estar fazendo sem se dar conta [e isso por motivos tantos: costume, anestesia moral,...], já aquele tinha consciência do que fazia). Assim: se for reprimir que seja com modéstia, se for considerar a repreensão que seja com bom senso.
sábado, junho 21, 2008
Lixeira
Há algum tempo atrás um conhecido exclamou: "as pessoas na praia não se importam em sentar sobre o próprio lixo!". Ora!, eu me espanto, aqui em Porto Triste elas não se preocupam em caminhar sobre ele. A diferença não é tão grande assim. Aliás, não há diferença. Ao menos não nas atitudes irresponsáveis e inconscientes. Fuma-se muito, e os tocos de cigarro vão ao chão. Os copos de plástico dos cafés, oc pacotes coloridos das bolachas recheadas, os papéis de propaganda das lojas. Vai tudo ao chão. Para debaixo de nossos pés. E erguemos a cabeça, seguimos em frente, pisando na miséria urbana que -comodamente- nos habituamos a ignorar.
domingo, maio 25, 2008
sobre conviver.
Talvez o ato de conviver com outro(s) alguém(/ns) seja o método mais fácil e efetivo para uma desilusão pessoal. É convivendo que descobre-se os seus erros -que geralmente tu considera mínimos- e os erros do outro(s)- que tu consideras imensos(ou o contrário, também...). Morar com alguém que se gosta (seja lá no sentido que for) pode não ser um acerto. E isso pelo fato de que não é tão simples e encantador assim fazer as coisas práticas (como discutir que marca de margarina comprar e estender as roupas no varal) juntos, acredite. Creio que as únicas pessoas (e agora algo bem pessoal [ou não...]) capazes de conviverem comigo d'uma forma bem pacífica e harmoniosa são meus pais e irmão, a família; e provavelmente porque eles me conhecem melhor do que imagino, sabem das minhas manias irritantes, dos meus defeitos complicados de mudar (e eu tento, heim!), das coisas que não gosto tanto. E há certa cumplicidade, tanto que toleramos errinhos uns dos outros sem esbravejar. Já quando se resolve conviver com alguém nem tão íntimo (nesses detalhes domésticos), descobre-se (eu descubro, ao menos...) defeitos (que na maioria das vezes nem defeitos são) em grande proporção. Conviver é muito arriscado; Conviver faz forte a possibilidade do desencanto, da mágica perdida. Eu delicadamente aconselharia: Conviva com a família. As outras pessoas especiais? Visite (ou marque encontros em cemitérios, igrejas, escolas vazias e escadas longíqüas....).
sábado, maio 24, 2008
sobre o que eu não preciso (tanto)
O computador não (me) é essencial. Não mais. Com tantas cores, com tantos cheiros, com tantas novidades e levezas aí fora, para quê eu preciso voltar a atenção para uma tela estática e cheia de pontinhos luminosos como essa? Tecnologia, deixe-me! Eu ainda possuo sentimentos.
Nota: Eu falo isso porque estou na cidade encantada. Esperem só (, moscas) eu chegar em Porto Triste.
Nota: Eu falo isso porque estou na cidade encantada. Esperem só (, moscas) eu chegar em Porto Triste.
domingo, maio 11, 2008
Academias
Elas são tristes, são depressivas. Nelas as pessoas fingem esquecer a vida presa à insegurança, ao abandono social, aos males da cidade grande. Bem, eu falo das academias (não de intelecto, como as de Platão e de Aristóteles; mas sim de firmamento corporal, físico e "aparencial".). É lá que pessoas desconhecidas se reúnem para suar o corpo e esquecer da miséria da mente. Não, eu não critico o desejo de bem-estar físico. Eu -isso sim!- me entristeço pela forma como isso é feito. As circunstâncias que levaram à criação das academias corporais me parecem bem visíveis, e o ponto inicial é, como pode-se chamar, a "rotina de cidade grande". Ora, com esses centros urbanos super lotados surgiram muitos problemas (ou empasses, para quem prefere um termo menos forte...): a violência que não permite um caminhar despreocupado pelas ruas, a sujeira que priva de alguns passos sem chutar papéis, plásticos e coisas piores (cigarros! oh, os cigarros!), a poluição do ar que faz com que o corpo se sinta impregnado em poucos minutos de foligem cinza, a poluição sonora que nos obriga ouvir o barulho constante dos carros e, enfim: a falta de lugares adeqüados para os passeios (que pode ser uma conseqüência dos outros fatores antes citados). E então o ser-humano, se vendo morrer de sedentarismo, precisou criar um estabelecimento comercial que oferecesse tudo o que um dia já fora natural do e para o homem: possibilidade de movimento. Mas agora não mais um movimento livre e espontâneo (como ainda há em cidades pequenas e aconchegantes...). Não. Algo determinado, mecânico e que visa muito mais a "beleza (oh, se o corpo mostrasse o verdadeiro sentido de ser belo!)" e a aparência.
Mas esta é apenas a opinião pobre de uma mente em decadência. Ou seja: pode não valer
nada.
Mas esta é apenas a opinião pobre de uma mente em decadência. Ou seja: pode não valer
nada.
domingo, maio 04, 2008
sábado, abril 12, 2008
De más atitiudes.
Não é fácil justificar (verdadeiramente, para quem admite o contrário) as más atitudes em relação às outras pessoas. Não se pode dar como argumento válido para desculpas o fato de que A agiu malvadamente para com B porque B, anteriormente, agira malvadamente para com A. O momento t1, não implica no momento t2; e quem afirma o contrário comete desastroso engano. Pode-se dizer que um dadmo momento t1 estava-se com a autoridade psicológica alterada (por fatores quaisquer), todavia mesmo que isso seja verdaderio não é pressuposto para má atos justificáveis. Não há justificativa alguma coerente para qualquer gesto ruim com outro alguém. O que hé é uma seqüência de atos ruins próprios que desencaderiam numa segunda seqüência de atos ruins expandidos exteriormente, esses os quais afetam pessoas em potencial de intimidade e aproximação.
Quem saiba melhor expôr, que o faça.
Quem saiba melhor expôr, que o faça.
sexta-feira, abril 11, 2008
Das pessoas e suas atitudes individuais em sociedade
Morar numa megalópolo -a saber: "Porto Triste"- faz-me ver pequenos detalhes cotidianos -do andar de ônibus monótono ao ir no mercado escolher as frutas em promoção- como célebres atos de uma peça gregoriana, tamanho são os meus espantos e agruras fronte as cenas pitorescas com as quais me deparo.
Talvez seja apaenas uma consequência da falta de outras coisas antes abundantes -conversas interessantes, afagos inconscientes, apoio quase permanente- essa "capacidade" de observadora emotiva e deslumbrada; Bem, mas o fato é que vejo tão pouco do que quer ver (sim, minha visão se torna turva perante tantos prédios, sujeira e praticidade...) que faço-me emocionada com gestinhos e atos superficialmente tão pequenos.
Certo dia, não importa qual, em momento rotineiro da espera de um ônibus deparei-me com uma cena que, confesso, deixou-me melancolicamente alegre, ao ponto de segurar algumas lágrimas indesejadas: dois velhinhos, assim: velhinhos, passeavam calmamente, um aceitando o andar vago e cambaleante do outro, de mãos dadas. Sim, de mãos dadas! Ah!, a bonita idéia de envelhecer junto com quem é especial, com um cuidado mútuo e uma admiração crescente....
Outro fato que me fez sair da monotonia sentimental foi, desta vez, dentro de um ônibus e na mesma semana. Vi uma garotinha, assim: garotinha de uns nove anos lendo. Esprimida no banco por um senhor executivo com sua roupra preta e apertada, lendo! Ela li seu livro sem desviar os olhos e sorria, sorria lendo um livro do Pedro Bandeira...
Ah, saudade da época dos Karas, saudade da pequenez boniteza dos gestos indefinidos, saudade da minha pequenez frente o mundo, da minha alegre inocência dos tempos em que quase tudo era-me coletivo e eu não percebia. Eu não percebia...
"Seja agora o seu é. O futuro não te reservará máquinas do tempo."
Talvez seja apaenas uma consequência da falta de outras coisas antes abundantes -conversas interessantes, afagos inconscientes, apoio quase permanente- essa "capacidade" de observadora emotiva e deslumbrada; Bem, mas o fato é que vejo tão pouco do que quer ver (sim, minha visão se torna turva perante tantos prédios, sujeira e praticidade...) que faço-me emocionada com gestinhos e atos superficialmente tão pequenos.
Certo dia, não importa qual, em momento rotineiro da espera de um ônibus deparei-me com uma cena que, confesso, deixou-me melancolicamente alegre, ao ponto de segurar algumas lágrimas indesejadas: dois velhinhos, assim: velhinhos, passeavam calmamente, um aceitando o andar vago e cambaleante do outro, de mãos dadas. Sim, de mãos dadas! Ah!, a bonita idéia de envelhecer junto com quem é especial, com um cuidado mútuo e uma admiração crescente....
Outro fato que me fez sair da monotonia sentimental foi, desta vez, dentro de um ônibus e na mesma semana. Vi uma garotinha, assim: garotinha de uns nove anos lendo. Esprimida no banco por um senhor executivo com sua roupra preta e apertada, lendo! Ela li seu livro sem desviar os olhos e sorria, sorria lendo um livro do Pedro Bandeira...
Ah, saudade da época dos Karas, saudade da pequenez boniteza dos gestos indefinidos, saudade da minha pequenez frente o mundo, da minha alegre inocência dos tempos em que quase tudo era-me coletivo e eu não percebia. Eu não percebia...
"Seja agora o seu é. O futuro não te reservará máquinas do tempo."
quarta-feira, março 26, 2008
Sobre visões diferentes;
Eu não me importo que as pessoas sejam gordas, muito menos que não tenham "aqueeeele (porque é assim que alguns falam sobre certas coisas...) estilo", nem com qualquer sotaque, coisa alguma com o visual. Eu quero mais é que elas pensem bastante, imaginem o suficiente, criem o inesperado, descubram e defendam ideais, se responsabilizem por seus atos e pratiquem a coerência. O que eu desejo é difícil, justamente por isso o fácil e fútil qualquer um consegue.
domingo, março 16, 2008
Sobre um mal;
As etapas com as quais se depara no decorrer da existência pessoal nem sempre são bem definidas. A nitidez entre a passagem de uma fase, por exemplo, individualista, para uma visão de mundo cooperativa e, talvez, humanista, só é percebida depois da vivência nas duas. É o futuro que classificará, determinantemente, o que fomos (e expandindo: no que acreditávamos, o que defendíamos;) no passado.
Porém o que me espanta é observar que -por mais "cheia de si" que a frase possa parecer- muitos seres humanos permanecem, por um tempo longo demais, na mesma nomotonia, com os mesmos desejos e a mesma maneira de pensar e interagir com as entidades físicas, biológicas e psíquicas que satisfazem o mundo. Talvez se possa dar a essa "maneira constante de ser" o nome de acomodação interna. É o que acontece, por exemplo, com um executivo que realiza todos os dias as mesmas tarefas -usando doas mesmas táticas empresariais-, desde o escovar de dentes matinal até o adormecer exausto com a televisão ligada no canal do noticiário. Suas ações físicas são, sem exceções, as mesmas; Conseqüentemente (e isso é absolutamente claro para mim) suas "percepções" internas (ou seja: os sentimentos, as sensações, os pensamentos) serão, também, iguais as do dia anterior, que eram inguais a do do outro dia anterior, e assim por diante, como num ciclo.
Se eu fosse uma especialista na área de pesquisas médica, tomaria como objeto de estudo a acomodação interna e seus fatores, suas causas e suas respectivas reações, visando provar ser ela uma doença; típica anomalia causada pelo meio externo, e que cresce progressivamente de década para década. A posologia seria, em partes, simples: doses altas de passeios por lugares verdes e pouco poluídos, noites bincando de jogos de estratégia, leituras diárias ao gosto do paciente, momentos boçais de descontrole emocinal com direito a alterações das sensações (isto com a finalidade de aguçar os sentimentos), valoriação dos abraços e afagos, corte drástico do tempo na frente de máquinas, substituindo-as por outros seres vivos, por ar livre e por momentos (sim!) de ócio. Medicação sem reações adversas perigosas, porém com riscos de libertação moral e estado de êxtase ou plenitude pessoal.
O triste é que essa doença pouco interessa aos médicos, muitas vezes eles mesmos afetados e definhando graças a ela. Por isso só nos (a mim, eu confirmo.) resta o pouco -e muito pouco- : temê-la e tentar, de todas as formas, manter-se afastado além da linha quase invisível da alienação coletiva.
Porém o que me espanta é observar que -por mais "cheia de si" que a frase possa parecer- muitos seres humanos permanecem, por um tempo longo demais, na mesma nomotonia, com os mesmos desejos e a mesma maneira de pensar e interagir com as entidades físicas, biológicas e psíquicas que satisfazem o mundo. Talvez se possa dar a essa "maneira constante de ser" o nome de acomodação interna. É o que acontece, por exemplo, com um executivo que realiza todos os dias as mesmas tarefas -usando doas mesmas táticas empresariais-, desde o escovar de dentes matinal até o adormecer exausto com a televisão ligada no canal do noticiário. Suas ações físicas são, sem exceções, as mesmas; Conseqüentemente (e isso é absolutamente claro para mim) suas "percepções" internas (ou seja: os sentimentos, as sensações, os pensamentos) serão, também, iguais as do dia anterior, que eram inguais a do do outro dia anterior, e assim por diante, como num ciclo.
Se eu fosse uma especialista na área de pesquisas médica, tomaria como objeto de estudo a acomodação interna e seus fatores, suas causas e suas respectivas reações, visando provar ser ela uma doença; típica anomalia causada pelo meio externo, e que cresce progressivamente de década para década. A posologia seria, em partes, simples: doses altas de passeios por lugares verdes e pouco poluídos, noites bincando de jogos de estratégia, leituras diárias ao gosto do paciente, momentos boçais de descontrole emocinal com direito a alterações das sensações (isto com a finalidade de aguçar os sentimentos), valoriação dos abraços e afagos, corte drástico do tempo na frente de máquinas, substituindo-as por outros seres vivos, por ar livre e por momentos (sim!) de ócio. Medicação sem reações adversas perigosas, porém com riscos de libertação moral e estado de êxtase ou plenitude pessoal.
O triste é que essa doença pouco interessa aos médicos, muitas vezes eles mesmos afetados e definhando graças a ela. Por isso só nos (a mim, eu confirmo.) resta o pouco -e muito pouco- : temê-la e tentar, de todas as formas, manter-se afastado além da linha quase invisível da alienação coletiva.
quinta-feira, março 13, 2008
Justificativas
Eu voltei (Drama demais? Não, sei bem que não é isso; É muito mais uma frase cheia de remorso pelo abandono, cheia de pedidos de desculpas; É isso.). E creio piamente que preciso justificar -ao menos ao blog solitário e as moscas virtuais que por ele pousam e defecam- o porquê (ou: os porquês, talvez um mais que um, talvez motivos vários [mas veremos, ainda!]) dessa partida sem aviso por tempo longo e essa volta (agora com um aceno de lenço branco ao longe) quase bonita, quase romântica e chorosa. Uma das coisas que posso usar como motivo é uma certa troca de "ares" que ocorreu no início do mês. Digamos que eu eu tenha abandonado o campo verde e limpo por uns muros sujos e urinados. Uma mudança nem tão bem aceita por mim (ainda...). Há também outro fator que decorre da mudança: não tenho a minha máquina de digitar junto, tendo que ser inconveniente ao extremo usando um ser inanimado que não é meu, que não pode ser sujo de café e frutas, e que não me tolera com sua tela por muito tempo. E o último argumento que tento usar para convencê-los (,blog e moscas) do tal sumiço, é que o Cronos foge e se esconde, e capturá-lo e prendê-lo num armário escuro está relativamente difícil. Espero que aceitem o que foi dito, pois não foram vãs as justificativas. Pelo contrário, somam-se verdadeiras e doloridas. É a única coisa que posso fazer por mim mesma: garantir a veracidade que sinto existir.
De último, paradiando o senhor Cantor Lulu Santos, digo que "Eu lhes fiz esse post, para perdir perdão. Tenho sido tão Vão... Mas eu ando tão Fraco; Não queria que você(s) me visse(m) tão Fraco. Mas na verdade eu não quero lhes enganar...".
Eu volto, e dessa vez sem tanto tardar.
De último, paradiando o senhor Cantor Lulu Santos, digo que "Eu lhes fiz esse post, para perdir perdão. Tenho sido tão Vão... Mas eu ando tão Fraco; Não queria que você(s) me visse(m) tão Fraco. Mas na verdade eu não quero lhes enganar...".
Eu volto, e dessa vez sem tanto tardar.
terça-feira, fevereiro 05, 2008
das interpretações inválidas;
A frase: "Tu deves respeitar os mais velhos" não está de todo errada, todavia é vista como correta por motivos falsos ou enganadores. Não dizemos que se deve ter respeito por uma pessoa de maior idade pelo simples e único fato de ela ser mais velha; isso é errôneo e lembra um uso exacerbado de poder, que pode "muito bem" ser comparado à aristocracia que comanda a classe operária em certa cidade de porte médio. A frase tem sentido se tomada pelo argumento de que o homem mais velho pode ter percepções diferentes de mundo exatamente por ter nascido em outra época. Isso sim justifica de forma lógica que se tenha "respeito" por ele, o qual pensa e vê os gestos e movimentos de maneira diferente. Partindo de outro pressuposto -esse mais amplo- a sentença também é válida: cada ser merece respeito acima de qualquer atitude, visto que é não só substância mas também forma viva e integrante da natureza.
E esse pode ser somente mais um exemplo (entre muitos outros, nos quais prefiro não me deter agora) de pequenas enganações na interpretação de frases e colocações; O cuidado com o que se deseja pensar é necessário, então.
E esse pode ser somente mais um exemplo (entre muitos outros, nos quais prefiro não me deter agora) de pequenas enganações na interpretação de frases e colocações; O cuidado com o que se deseja pensar é necessário, então.
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
diálogo de carnaval;
A: "O Carnaval é uma data muito especial, cara!"
B: "É, realmente. Não é todo dia que posso ficar em casa lendo um livro."
A: "..."
B: "É, realmente. Não é todo dia que posso ficar em casa lendo um livro."
A: "..."
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
do (meu, só) romantismo (?);
Sou uma romântica. Irremediável romântica. Tenho medo de me desfazer do passado, de esquecer dos sentimentos vividos, de jogar fora os papéis velhos e fétidos e amassados. Posso ficar horas como que hipnotizada, olhando cadernos antigos, remoendo desejos de cartas nunca enviadas, me doendo com aquelas letras soltas de diários quase que esquecidos. E me fito no espelho e repito: miserável romântica, uma miserável...
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